Lula chama ação dos EUA contra Maduro de “capítulo lamentável”. Declaração foi feita em artigo do petista publicado pelo jornal The New York Times

Em artigo ao The New York Times, o presidente Lula critica a atuação dos EUA contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, chamando o episódio de “capítulo lamentável” que erode o direito internacional. Ele afirma que ações unilaterais enfraquecem a ONU e ameaçam a estabilidade global. O petista defende cooperação regional para enfrentar desafios como fome, pobreza e mudanças climáticas, e reforça a necessidade de diálogo entre Brasil e Estados Unidos para investimentos e combate ao crime organizado.

Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a atuação dos Estados Unidos na Venezuela e a prisão do presidente Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro. Para o petista, o episódio simboliza “mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.

Segundo o chefe do Executivo brasileiro, o comportamento reiterado das grandes potências tem corroído, ano após ano, a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e, sobretudo, de seu Conselho de Segurança. Lula diz ainda que quando a força passa a ser utilizada como instrumento recorrente para solucionar disputas, a consequência direta é a ameaça à paz e à estabilidade global.

– Se as normas forem seguidas apenas seletivamente, instala-se a anomia, que enfraquece não só os Estados individualmente, mas também o sistema internacional como um todo. Sem regras acordadas coletivamente, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas – diz o presidente brasileiro no artigo.

No texto, o petista diz que líderes políticos podem ser responsabilizados por atos que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais, mas defende que nenhum país pode se atribuir o papel de juiz internacional.

– Ações unilaterais ameaçam a estabilidade mundial, interrompem o comércio e o investimento, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais – declara.

Lula defende ainda uma agenda regional pragmática, capaz de superar divergências ideológicas em favor de resultados concretos. Entre as prioridades, ele cita investimentos em infraestrutura física e digital, geração de empregos de qualidade, aumento da renda e ampliação do comércio regional e internacional.

– A cooperação é fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o narcotráfico e as mudanças climáticas. A história demonstra que o uso da força jamais nos aproximará desses objetivos. A divisão do mundo em zonas de influência e as incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos são ultrapassadas e prejudiciais – afirma.

Por fim, o chefe do Executivo brasileiro diz que seu governo mantém um diálogo construtivo com os Estados Unidos e lembra que os dois países são as maiores democracias do continente. Para ele, a união de esforços em torno de investimentos, comércio e combate ao crime organizado é a via mais eficaz para enfrentar os desafios regionais.

– Somente juntos poderemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós – finaliza.
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