ONG eleva para 192 o número de mortos durante protestos no Irã. País segue sem acesso à internet em meio às manifestações contra o governo

A ONG Iran Human Rights elevou para 192 o número de mortos em protestos no Irã, que começaram em 28 de dezembro e têm como causas principais a crise econômica e a descontentamento político. O país segue sem acesso à internet, e agências como a HRANA também contabilizam mortes, apesar das dificuldades de comunicação. O regime acusa EUA e Israel de incitar a instabilidade, enquanto Donald Trump ameaça intervir caso a repressão continue. O Exército iraniano se prepara contra supostos "complôs" estrangeiros.

A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) elevou neste domingo (11) para 192 o número de mortos pela repressão aos protestos no Irã, enquanto o país permanece sem acesso à internet e as manifestações populares contra o governo – iniciadas em 28 de dezembro – continuaram também durante a última noite.

A organização, com sede em Oslo, na Noruega, afirmou ter confirmado as mortes por meio de “fontes diretas” e de “outros dois meios de comunicação independentes”.

Entre os relatos colhidos pela ONG está o dos pais de Rubina Aminian, estudante curdo-iraniana de 23 anos morta na tarde da última quinta-feira (8), durante a jornada de protestos em Teerã. Eles viajaram à capital para identificar os restos mortais da filha e tiveram acesso ao necrotério, onde descreveram a presença de centenas de corpos.

Por sua vez, a Human Rights Activists News Agency (HRANA), que opera a partir dos Estados Unidos, afirmou neste sábado (10) que o número de mortos confirmados durante as manifestações chega a 116, apesar da interrupção do fluxo de informações causada pelos cortes de internet.

A HRANA assegurou em seu último relatório que o auge dos protestos foi atingido na última quinta, após pelo menos 96 manifestações em 27 das 31 províncias do país, o que levou o regime dos aiatolás a implementar o corte de internet e da telefonia internacional que se estende até hoje.

Alguns vídeos divulgados em redes sociais pela Hengaw Organization for Human Rights, sediada na Europa, mostram marchas noturnas multitudinárias em vários pontos do Irã, uma delas verificada em Teerã na noite deste sábado (10).

Já a agência iraniana Tasnim, vinculada ao regime islâmico e uma das poucas que atualiza seu conteúdo em meio ao bloqueio, relatou neste domingo a morte de oito membros das forças de segurança entre quarta (7) e quinta-feira (8) passadas por “ataques com armas de fogo” e outros objetos.

Segundo o jornal, fontes do governo confirmaram a detenção de cerca de 200 líderes de “grupos terroristas” e a apreensão de “uma quantidade considerável de munições, armas, granadas e coquetéis molotov nos esconderijos dos baderneiros”.

Também foi publicada parte da fala do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, neste domingo, durante reunião com o ministro das Relações Exteriores de Omã, na qual acusou os Estados Unidos e Israel de atacarem a unidade entre os países islâmicos e de criarem divisão externa “para cumprir seus objetivos sinistros”.

A República Islâmica enfrenta desde o dia 28 de dezembro uma onda de protestos originada pela crise econômica, decorrente da queda no valor da moeda (rial) e da alta inflação, entre outros fatores.

Com o passar dos dias, as manifestações assumiram também um caráter político de crítica ao regime dos aiatolás.

Diante desta situação e do recrudescimento dos protestos, o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou intervir no país em favor dos manifestantes caso a repressão continue.

Por sua vez, o Exército iraniano afirmou neste sábado (11) que está preparado para enfrentar qualquer “complô” apoiado pelos EUA, a quem acusou de incitar a instabilidade.
*EFE
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